Resenha do artigo “Educação sexual nas escolas é menor do que imaginamos” de Fabiana Maranhão para a revista Nova Escola em fevereiro de 2019



No artigo descobrimos que atualmente cerca de 20% das escolas do Brasil tem educação sexual no ensino fundamental, no artigo a autora nos trás informações de programas governamentais como o Brasil sem homofobia nos anos 2000; Gênero e Diversidade na Escola em 2006 e Saúde na Escola em 2007. Com esses dados fica a pergunta o porquê esses programas não foram continuados? Para a autora faltam iniciativas substanciais e continuadas, desde o governo federal até mesmo dentro das prefeituras dos municípios.
Mas não podemos despejar toda a culpa no governo toda e qualquer forma de educação deve vir inicialmente de casa. Com a educação sexual não pode ser diferente. Histórias bonitinhas com animais, vegetais, podem até satisfazer a curiosidade momentânea, mas ao questionar ao professor a resposta será diferente o que poderá confundir a criança. Explicar de onde vêm os bebês é a informação inicial para as crianças e a suficiente. Perder a crença que a educação sexual é um incentivo às crianças a realizarem o ato, é um pensamento arcaico, mas muito presente no cotidiano escolar. Temos dados que informam que pessoas que tiveram uma boa educação sexual tiveram um início de vida sexual mais tardio. Mais uma vez crenças acabam prejudicando a próxima geração.
O sexo e órgãos sexuais nos livros didáticos é possível visualizar uma linha do tempo bem tênue. Nos anos 1950: não consta, em 1970 o sexo era visto como gênero, em 1990 a educação sexual era utilizada unicamente para prevenção de AIDS, quando houve o boom, e gravidez na adolescência, nos anos 2000 o sexo passou a ser visto para que serve prazer, amor e afeto. Agora que chegamos aos anos 2020 houve um retrocesso gigante. Não tratam do sexo propriamente dito, falam sobre órgãos reprodutivos e de doenças sexualmente transmissíveis. Mas o sexo como um ato de afeto e amor não é visto.
Temos um governo que se diz conservador, o que acaba dividindo opiniões, o próprio presidente diz que o assunto só deve ser tratado em casa com pais e mães. Mas na sociedade em que vivemos, os abusos acontecem dentro de casa, pelas pessoas que mais deveriam proteger as crianças. Não pode ser um assunto tratado apenas por pais ou mães.
Maioria dos brasileiros concorda com a educação sexual nas escolas, até o mesmo o papa. Deixar de passar informações que são tão necessárias precisas e corretas, causa um grande desconhecimento e ações equivocadas. Conhecer o corpo humano, com todas as suas partes, é necessário. Abordar temas como gravidez, namoro, masturbação, relacionamento, dúvidas, angústias e sentimentos em relação ao corpo e ao sexo para desfazer mitos, preconceitos e tabus é necessário.
Precisamos passar para os jovens que o seu corpo é um bem de valor inestimado, e que deve ser valorizado a todo o custo. Deixar que assuntos tão delicados sejam tratados na rua causam grandes problemas no cotidiano desses jovens. Aprender sobre sexo de fontes não confiáveis trazem a promiscuidade que a sociedade masculinizada vê o sexo, o que não é ideal para uma pessoa que está iniciando sua vida sexual.
Nós, enquanto professores, precisamos deixar de lado nossos valores pessoais e pensar em cada aluno como único e diferente de nós é a primeira coisa que devemos fazer. O aluno busca no professor tudo aquilo que não recebe em casa, desde o afeto do abraço até os questionamentos mais íntimos possíveis, saber como tratar essas situações é algo que não é aprendido em qualquer academia. Por isso o cotidiano escolar que és tão rico é muito importante.
O plano de aula é fraco, com atividades que não serão facilmente aplicadas em salas de aulas reais. Tratar casos tão sérios, com uma sala que você não conhece tão intimamente é arriscado e a aula pode ser tornar um mecanismo de gatilho para pessoas com esses problemas. O sexo deve ser tratado inicialmente morfologicamente, após fisiologicamente e por fim, mas não menos importante afetuosamente. Para quando um desses tópicos vir a faltar podemos tratar os abusos, mas não com reportagens.

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